O Pequeno Gigante: Por que o Zinco é Vital para o Cérebro e o Apetite no Autismo

Muitos pais observam seus filhos irritados, agitados e recusando comida, e assumem que é “apenas comportamento” ou teimosia. Embora o comportamento seja parte do autismo, muitas vezes existe uma causa biológica invisível que está dificultando a vida da criança.

Um dos culpados mais comuns e menos falados é um mineral minúsculo: o Zinco.

O Que o Zinco Faz no Corpo?

Imagine que o corpo do seu filho é uma grande obra em construção. O zinco não é o tijolo nem o cimento; ele é o “mestre de obras”. Ele não constrói as paredes sozinho, mas dá as ordens para que tudo funcione. Sem ele, a obra para, os trabalhadores ficam confusos e a estrutura fica frágil.

No desenvolvimento infantil, o zinco participa de centenas de processos, mas dois são essenciais para crianças no espectro autista: o controle do cérebro e o desejo de comer.

Por Que Ele Não Quer Comer? (A Conexão com o Paladar)

A recusa alimentar nem sempre é frescura. O zinco é o combustível para o nosso paladar e olfato.

Quando os níveis de zinco estão baixos, o sentido do gosto muda. Alimentos que deveriam ser saborosos passam a ter gosto de “nada”, de papelão ou até um gosto metálico ruim. Uma criança que já tem sensibilidade sensorial natural do autismo não vai aceitar comer algo que seu cérebro diz ser ruim ou sem gosto.

Se o seu filho come muito pouco e sempre as mesmas coisas (seletividade extrema), pode não ser apenas rigidez mental; pode ser que o corpo dele não esteja sentindo o gosto da comida corretamente.

O “Freio” do Cérebro: Zinco e Comportamento

O cérebro funciona com dois sistemas principais: um que acelera (Glutamato) e um que freia (GABA).

  • Glutamato: Ajuda a aprender e reagir.

  • GABA: Ajuda a acalmar, relaxar e focar.

Para que o “freio” (GABA) funcione, ele precisa de zinco. Se falta zinco, o cérebro tem dificuldade em desacelerar. O resultado não é uma criança “mau comportada”, é uma criança cujo sistema nervoso está preso no modo “acelerado”. Isso se manifesta como:

  • Irritabilidade constante;

  • Dificuldade para dormir;

  • Agitação motora (não conseguir ficar parado);

  • Crises de choro ou raiva (meltdowns) mais frequentes.

O Perigo da Automedicação

Ao ler isso, o instinto natural é correr para a farmácia e comprar vitaminas. Não faça isso.

O zinco é um metal. O equilíbrio dele no corpo é delicado. Dar zinco demais sem necessidade pode causar:

  1. Queda nos níveis de Cobre (outro mineral vital);

  2. Problemas estomacais sérios;

  3. Piora no sistema imune.

O Que Fazer Agora?

Se você reconheceu esses sinais no seu filho, o caminho correto é investigar, não adivinhar.

  1. Peça exames: Converse com o pediatra ou nutricionista e peça para dosar o Zinco Sérico e, idealmente, o Zinco Eritrocitário (que é mais preciso).

  2. Ajuste a dieta: Antes de suplementar, ofereça alimentos ricos em zinco como carnes vermelhas, sementes de abóbora, feijões e castanhas.

  3. Suplementação guiada: Se o exame der baixo, o profissional de saúde indicará a dose exata e o tipo de zinco correto para o peso e a necessidade do seu filho.

O comportamento do seu filho é uma forma de comunicação. Às vezes, ele está apenas dizendo: “Meu corpo precisa de ajuda para funcionar melhor”.

Se

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