Mini-Cérebros” em laboratório revelam como o Autismo se desenvolve antes do nascimento
A Notícia:
Cientistas do Salk Institute e da Universidade da Califórnia conseguiram cultivar Organoides Cerebrais (pequenas estruturas de tecido cerebral criadas em laboratório) a partir de células da pele de indivíduos autistas. O estudo revelou que as diferenças no crescimento neural começam muito cedo, ainda no primeiro trimestre de gestação.
O que o estudo descobriu:
Ao observar esses “mini-cérebros” em desenvolvimento, a equipe notou que:
- Em alguns subtipos de autismo, as células progenitoras (células “mães” que dão origem aos neurônios) se dividem rápido demais, gerando um Crescimento Excessivo do Cérebro (Macrocerebelia) logo no início.
- Esse crescimento acelerado pode causar uma “falha na fiação”, onde as conexões de longa distância (que ligam a frente à parte de trás do cérebro) são mais fracas, enquanto as conexões locais são excessivamente fortes.
- Isso explica por que muitos autistas têm habilidades excepcionais em tarefas de detalhe, mas sentem dificuldade em integrar informações complexas.
Por que isso é importante:
Até agora, era impossível observar o cérebro de um bebê autista durante a gestação. Com os organoides, os médicos podem testar medicamentos diretamente no “tecido cerebral” daquela pessoa específica em laboratório, vendo qual substância ajuda a equilibrar as conexões neurais sem precisar de testes invasivos no paciente.
Glossário Técnico (Termos Explicados)
- Organoides Cerebrais: São versões simplificadas e minúsculas de órgãos reais produzidas em laboratório. Eles não “pensam”, mas imitam a biologia e a estrutura do cérebro humano.
- Células-Tronco Pluripotentes (iPSCs): Células adultas (geralmente da pele) que são “reprogramadas” para voltarem a ser como células de um embrião, podendo transformar-se em qualquer tecido, como neurônios.
- Macrocerebelia: Uma condição onde o volume cerebral é maior do que a média, frequentemente observada em uma percentagem significativa de crianças no espectro autista durante os primeiros anos de vida.
Fonte: Salk Institute for Biological Studies / Nature Communications (Dezembro 2025); UCSD Health News.
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