A Epidemia do Narcisismo Disfarçada de Autismo: Um Alerta Brutal

Se você assistiu a três vídeos no TikTok, se identificou com “não gostar de barulho alto” ou “ser socialmente estranho” e decidiu que é autista, pare agora. Você provavelmente não está no espectro; você está a cair no Efeito Barnum e a desesperar por uma identidade que o faça sentir-se especial.

Psicólogos e psiquiatras sérios estão exaustos. Eles enfrentam uma onda de pacientes que não buscam um diagnóstico; buscam uma validação para uma fantasia.

1. A Banalização do Sofrimento Real

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição de neurodesenvolvimento séria, que envolve prejuízos significativos na comunicação, interação social e rigidez comportamental. Não é sobre ser “tímido”, “geek” ou “organizado”.

  • O Erro: Achar que traços humanos universais são patologias.

  • A Realidade: Andar na ponta dos pés uma vez na infância ou odiar etiquetas na roupa não faz de você autista. Isso chama-se “sensibilidade sensorial”, e a maioria da população tem alguma. Ter traços não significa ter o transtorno. O transtorno exige prejuízo funcional severo.

2. O Fenómeno “Dr. TikTok” e o Viés de Confirmação

Os algoritmos das redes sociais são desenhados para prender a sua atenção. Vídeos de 15 segundos listam sintomas genéricos (“Você procrastina? Você hiperfoca?”).

  • O Mecanismo: Você vê o vídeo -> O algoritmo percebe que você engajou -> Ele manda mais 50 vídeos sobre autismo -> Você entra numa bolha de confirmação.

  • O Resultado: Você começa a reinterpretar toda a sua vida sob a ótica do autismo. De repente, a sua ansiedade social normal vira “burnout autista”. A sua preferência por rotina vira “rigidez cognitiva”. Você está a treinar o seu cérebro para mimetizar sintomas.

Nota Crítica: Psicólogos relatam que pacientes chegam ao consultório com o “script” decorado. Quando o profissional diz “Você não tem TEA, você tem Ansiedade Generalizada ou TDAH”, o paciente fica furioso. Ele não queria a verdade; queria o rótulo que viu na internet.

3. A “Compra” do Diagnóstico

Existe uma pressão perversa sobre os profissionais. Se um psicólogo ético se recusa a dar o diagnóstico de TEA porque os critérios clínicos (DSM-5) não foram atendidos, o paciente simplesmente vai embora e procura outro — até achar um profissional (muitas vezes mal qualificado ou que vende laudos) que diga “sim”. Isso cria uma estatística falsa e perigosa. Estamos a criar uma geração de “falsos positivos” que ocupam vagas, recursos e tempo de terapia que deveriam ir para pessoas com deficiências reais e incapacitantes.

4. Por que você quer tanto ser autista?

Esta é a pergunta que ninguém faz porque magoa o ego. Muitas pessoas buscam o diagnóstico de TEA tardio não para tratar uma deficiência, mas para:

  1. Explicar o fracasso: É mais fácil dizer “não consigo emprego/relacionamento porque sou neurodivergente” do que admitir falta de habilidades sociais ou esforço.

  2. Ganhar pertença: O rótulo oferece uma comunidade instantânea e uma “tribo” online.

  3. Ter um escudo: O diagnóstico torna-se uma carta branca para não ter de lidar com responsabilidades adultas ou mudar comportamentos tóxicos.

O Perigo Real

Ao se autodiagnosticar erroneamente, você ignora o que realmente tem. Pode ser Depressão, Transtorno de Personalidade Borderline, Ansiedade Social Severa ou Trauma. Tratar ansiedade como se fosse autismo não funciona e vai piorar a sua saúde mental a longo prazo.


PLANO DE AÇÃO: Saia da Ilusão

Não procure conforto. Procure a verdade.

  1. Delete o Algoritmo: Pare de seguir contas de “influenciadores de autismo” por 30 dias. Se os seus sintomas “desaparecerem” ou diminuírem quando você para de consumir o conteúdo, você não era autista; era sugestionável.

  2. Busque Avaliação Neuropsicológica Séria: Procure um especialista em neuropsicologia (não apenas um terapeuta de fala). Vá para a avaliação com a mente aberta para ouvir “NÃO”. Se você só aceita o “sim”, você não quer saúde, quer um carimbo.

  3. Aceite a Mediocridade: Se o laudo disser que você é neurotípico, aceite. Ter dificuldades sociais, ser introvertido ou ter manias faz parte da experiência humana normal. Pare de patologizar a sua personalidade para se sentir especial.

  4. Foque na Disfunção, não no Rótulo: Se você tem problemas sensoriais ou sociais, trate esses problemas com Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), independentemente do nome que você quer dar a eles. Melhore a sua vida, não a sua bio do Instagram.

Veja este vídeo para entender como a desinformação se espalha e distorce a realidade médica: TikTok and ADHD/Autism: Inaccurate content increases danger

Este vídeo é relevante pois expõe dados concretos sobre como a maioria do conteúdo sobre neurodivergência em plataformas de vídeos curtos é impreciso, alimentando diretamente este ciclo de autodiagnóstico equivocado.

O teste que os ‘influencers de autismo’ não querem que você faça » AQUI

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