O Que é o “Quase” Autismo? (Fenótipo Ampliado do Autismo – FAA)
Imagine que o autismo é como uma cor muito forte, digamos, um azul escuro profundo. O Fenótipo Ampliado do Autismo (FAA) seria um azul celeste bem clarinho. Ele tem a “tinta” do autismo, mas não é forte o suficiente para ser a cor inteira.
Muitas pessoas têm jeitos de ser que lembram o autismo, mas vivem a vida normalmente, sem precisar de ajuda médica. Vamos entender o que é isso sem usar palavras difíceis.
1. O Que Exatamente é o FAA?
O Fenótipo Ampliado do Autismo não é uma doença e nem um diagnóstico médico oficial. Você não vai encontrar um remédio para isso. Ele é um conjunto de traços de personalidade. São características que parecem muito com o autismo, mas aparecem de forma muito mais leve em pessoas que não são autistas.
O que a ciência internacional diz: Pesquisas (como as que usam o questionário BAPQ – Broad Autism Phenotype Questionnaire) mostram que o autismo é extremamente genético. Logo, é comum que os genes do autismo estejam “espalhados” na família, mesmo em quem não tem o transtorno.
2. Os Sinais Comuns (Checklist de Realidade)
Baseado nas imagens e em estudos, pessoas com FAA costumam ter estes comportamentos:
- Timidez Extrema ou “Bicho do Mato”: Aquela dificuldade real de começar uma conversa ou puxar papo com estranhos.
- Cabeça Dura (Rigidez Cognitiva): Adoram uma rotina. Se você muda os planos de última hora, elas ficam irritadas ou ansiosas. Gostam das coisas do jeito delas.
- Hiperfoco: Sabe quando a pessoa gosta MUITO de um assunto (dinossauros, carros, programação) e só quer falar disso? Isso é comum.
- Falam “na Lata” (Comunicação Objetiva): Não gostam de rodeios. São diretos, o que às vezes pode parecer grosseria, mas é só o jeito de falar.
- Sensibilidade Leve: Podem se incomodar com etiquetas de roupa, luzes fortes ou barulhos, mas conseguem aguentar (diferente do autista, que muitas vezes entra em crise).
3. A Diferença Chave: FAA vs. Autismo (TEA)
Aqui é onde a maioria das pessoas se confunde. Preste atenção:
- Autismo (TEA): Os traços são intensos e causam problemas. A pessoa não consegue socializar direito, tem atrasos na fala ou sofre muito com mudanças. Ela precisa de suporte e terapia para viver bem.
- FAA: Os traços são leves e subclínicos. “Subclínico” significa que os traços existem, mas não atrapalham a vida. A pessoa estuda, trabalha, casa e paga contas sem precisar de suporte terapêutico específico para isso. Se a pessoa tem prejuízo real na vida, deixa de ser FAA e precisa ser investigada para autismo ou ansiedade social.
4. Por que isso existe? (A Genética)
A ciência descobriu que o FAA é muito comum em parentes de autistas (pais e irmãos). Pense numa receita de bolo. O autista tem todos os ingredientes misturados na quantidade que faz o bolo. O parente com FAA tem apenas alguns ingredientes (como a farinha e o açúcar), mas não tem o fermento. Ele carrega parte da genética, mas não desenvolveu o quadro completo.
5. O Perigo da Rótulo (Aviso Importante)
Cuidado para não sair por aí dizendo “eu tenho FAA” só porque você é tímido ou organizado. O objetivo de saber sobre o FAA não é colocar um rótulo na testa e usar isso como desculpa para não interagir com as pessoas. O objetivo é autoconhecimento. Saber que você tem essa tendência genética ajuda a entender por que certas coisas (como festas barulhentas) te cansam mais do que cansam os outros. Só isso.
Conclusão
O Fenótipo Ampliado nos ensina que o cérebro humano não é “preto no branco”. Existe um espectro de comportamentos. Entender o FAA ajuda, principalmente, a ter mais paciência com pessoas que pensam de forma mais rígida ou são mais fechadas, sem julgá-las como “estranhas”.
Fontes e Referências
- Material analisado: Imagens informativas do “Cantinho Pedagógico”.
- Dados Internacionais: Piven, J., et al. (1997). “The broad autism phenotype: evidence from a family history study of multiple-incidence autism families.” American Journal of Psychiatry.
- Conceito de BAPQ: Hurley, R.S.E., et al. (2007). “The Broad Autism Phenotype Questionnaire”.
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