Fonoaudiologia Terapia da Fala

Comunicação é mais que palavras.
No autismo, é uma ponte essencial para a autonomia, a convivência social e a segurança.

📌 O que é a Fonoaudiologia?

A fonoaudiologia (ou terapia da fala) é uma área da saúde que atua na prevenção, avaliação e tratamento de distúrbios da comunicação, linguagem, fala, voz, audição e funções orofaciais (como deglutição e respiração).

No contexto do Transtorno do Espectro Autista (TEA), o foco é principalmente em:

  • Comunicação verbal e não verbal

  • Compreensão e uso da linguagem

  • Intencionalidade comunicativa

  • Desenvolvimento pragmático da linguagem (uso social da linguagem)

📊 Prevalência e Relevância Clínica

  • Estima-se que até 40% das pessoas autistas sejam não verbais ou minimamente verbais.

  • Mesmo entre os autistas verbais, é comum haver atraso na aquisição da linguagem, dificuldades na compreensão e uso funcional da fala.

  • Comportamentos desafiadores (como birras ou agressividade) muitas vezes resultam da incapacidade de comunicar desejos, necessidades ou emoções.

🎯 Objetivos da Terapia Fonoaudiológica no TEA

📌 Linguagem Receptiva
🔹 Melhorar a compreensão de instruções, perguntas e histórias.

📌 Linguagem Expressiva
🔹 Ampliar vocabulário, construir frases e utilizar verbos e pronomes corretamente.

📌 Pragmática (uso social da linguagem)
🔹 Desenvolver turnos de fala, iniciar e manter conversas, interpretar sinais sociais e ajustar a linguagem ao contexto.

📌 Comunicação Alternativa e Aumentativa (CAA)
🔹 Implantar sistemas como PECS ou aplicativos com voz para comunicação funcional, quando a fala está ausente ou é limitada.

📌 Motricidade Orofacial
🔹 Trabalhar articulação dos sons da fala, respiração adequada, sucção, mastigação e deglutição com segurança.

📚 Abordagens e Estratégias Mais Utilizadas

🔹 1. Modelo Naturalista e Funcional

  • Trabalha a linguagem no contexto real da criança (ex: durante brincadeiras).

  • Usa motivação e interesses naturais para incentivar a comunicação.

  • Exemplo: Puxar o brinquedo favorito e esperar a criança pedir com gesto ou som.

🔹 2. ABA com Ênfase em Comunicação (ex: VB-MAPP)

  • Foco em comunicação funcional, usando reforço positivo.

  • Pode envolver ensino por tentativas discretas (DTT) e ensino incidental.

🔹 3. PECS (Picture Exchange Communication System)

  • Sistema de comunicação por troca de figuras.

  • Etapas progressivas: de simples trocas até frases completas.

🔹 4. CAA (Comunicação Aumentativa e Alternativa)

  • Pode incluir tablets com voz (ex: apps como LetMeTalk, JABtalk).

  • Importante para autistas não verbais ou com fala ecolálica sem função.

🔹 5. Integração com outras terapias

  • A fonoaudiologia trabalha junto com terapeutas ocupacionais, psicólogos e educadores, garantindo alinhamento de objetivos e estratégias.

👀 Sinais de Alerta: Quando Procurar um Fonoaudiólogo?

  • Ausência de balbucio até os 12 meses

  • Não aponta ou usa gestos até 15 meses

  • Poucas ou nenhuma palavra até os 18 meses

  • Frases ausentes ou inapropriadas aos 30 meses

  • Ecolalia (repetição mecânica de palavras) sem função comunicativa

  • Dificuldade em iniciar ou manter conversas

  • Voz, entonação ou ritmo de fala incomuns

💡 Avaliação Fonoaudiológica no TEA

Inclui:

  • Entrevista com os cuidadores

  • Observação direta da criança em ambiente natural ou controlado

  • Testes padronizados (quando possível)

  • Análise do nível comunicativo atual e interesses motivacionais

✅ A avaliação deve sempre considerar as características sensoriais e comportamentais do indivíduo com TEA.

🧩 Desafios Comuns no Atendimento

  • Hiperfoco pode dificultar trocas comunicativas espontâneas

  • Hipersensibilidade auditiva pode tornar ambientes com fala um desafio

  • Fala robótica, ecolálica ou com entonação incomum pode dificultar a socialização

  • Falta de generalização: a criança aprende a pedir água na terapia, mas não em casa

💡 Por isso, é essencial envolver a família e os educadores no plano terapêutico.

👪 Como as Famílias Podem Ajudar?

  • Modelar a fala lentamente e com clareza

  • Usar reforço natural (elogiar ou dar o objeto pedido) sempre que houver comunicação

  • Estimular a comunicação funcional, e não apenas repetir palavras

  • Evitar corrigir diretamente erros de fala – em vez disso, reformule corretamente a frase

  • Participar das sessões e seguir as orientações do fonoaudiólogo em casa

⚠️ Cuidados com Promessas Falsas

Evite profissionais ou clínicas que prometem:

  • “Seu filho vai falar em 3 meses”

  • “Terapia 100% online substitui atendimento presencial”

  • “Métodos revolucionários sem embasamento científico”

✅ Opte sempre por terapeutas com formação especializada em TEA, experiência prática e que incluam os cuidadores no processo.

📋 Checklist: Sinais de Alerta para Linguagem

1. Não balbucia até os 12 meses

2. Não aponta ou usa gestos aos 15 meses

3. Não fala nenhuma palavra aos 18 meses

4. Não forma frases de 2 palavras aos 30 meses

5. Repete palavras ou frases sem intenção (ecolalia)

6. Fala com entonação ou ritmo estranho

7. Dificuldade em compreender instruções simples

8. Evita iniciar ou manter conversas

9. Não responde ao próprio nome frequentemente

10. Evita contato visual ao falar

🗣️ Formulário de Autoavaliação Fonoaudiológica

1. A criança (ou adulto) usa frases completas para se expressar?

2. Compreende instruções simples no dia a dia?

3. Inicia ou mantém conversas com outras pessoas?

4. Usa gestos, expressões faciais ou apontar para se comunicar?

5. Apresenta dificuldades para mastigar, engolir ou articular sons?

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